Pagode na bateria: levada com partido-alto no aro
Revisado em
No pagode, a bateria toca uma versão mais enxuta do samba: o bumbo faz o surdo nos dois tempos de cada metade do compasso, com uma nota curta antes do segundo, o chimbal acentua o contratempo e o aro toca uma frase inspirada no partido-alto. O andamento é tranquilo, para sobrar espaço para o tantã, o repique de mão e o banjo.
Intermediário75 bpm para começar
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A levada de pagode em texto
Onde cada peça bate na levada principal, a 75 bpm, contando o compasso em voz alta.
Compasso 1
- Bumbo
- 1, última semicolcheia do 1, 2, 3, última semicolcheia do 3, 4
- Aro
- segunda semicolcheia do 1, 2, 'e' do 2, 3, última semicolcheia do 3, segunda semicolcheia do 4
- Chimbal
- 1, 2, 3, 4
- Chimbal acentuado
- 'e' do 1, 'e' do 2, 'e' do 3, 'e' do 4
Como tocar, passo a passo
- 1
Bumbo no 1, no 2 e na nota de antes
Pense em dois compassos de samba dentro do 4/4. O bumbo toca no 1, na última semicolcheia antes do 2 e no 2; depois repete no 3, antes do 4 e no 4. Diferente do samba, não há nota antes do 1 e do 3, o que deixa a levada mais solta.
- 2
Chimbal em colcheias com acento no 'e'
Conte '1 e 2 e 3 e 4 e' e toque o chimbal em todas as colcheias, com o acento no 'e'. O acento cai junto com o ataque do banjo e do cavaquinho. Deixe a nota do tempo bem fraca.
- 3
Decore a frase do aro
Em semicolcheias, o aro toca na segunda nota do 1, no 2, no 'e' do 2, no 3, na última nota do 3 e na segunda nota do 4. Fale a frase devagar ('pa, pa-pa, pa, pa-pa') e toque só o aro com o metrônomo em 60 bpm.
- 4
Junte bumbo e aro
Antes de pôr o chimbal, toque apenas bumbo e aro. É aqui que a coordenação aparece: o aro e o bumbo se encontram no 2, no 3 e na última semicolcheia do 3, e nas outras notas se alternam. Repita até soar como uma frase só.
- 5
Complete com o chimbal e baixe o volume
Acrescente o chimbal e mantenha a dinâmica baixa. Em pagode a bateria fica por baixo da percussão; se você precisar tocar forte para se ouvir, peça mais retorno em vez de bater mais.
Variações
Escolha a variação no player acima para ouvir e ver o Tuca tocando.
Pagode romântico com aro no 2 e no 4
70 bpm
Versão mais simples, comum em baladas de pagode: o aro só no 2 e no 4, o bumbo igual e o chimbal no contratempo. Boa para quem ainda não tem a frase de partido-alto.
Ver em texto
Compasso 1
- Bumbo
- 1, última semicolcheia do 1, 2, 3, última semicolcheia do 3, 4
- Aro
- 2, 4
- Chimbal
- 1, 2, 3, 4
- Chimbal acentuado
- 'e' do 1, 'e' do 2, 'e' do 3, 'e' do 4
Surdo no tom de chão
72 bpm
O bumbo fica só no 1 e no 3 e o tom de chão toca no 2 e no 4, como o surdo de primeira. A mão direita sai do chimbal para o tom nesses tempos, e o aro fica com uma frase mais curta: na segunda semicolcheia do 1 e no 'e' do 2, depois na segunda do 3 e no 'e' do 4. O som fica mais grave e mais próximo de uma roda.
Ver em texto
Compasso 1
- Bumbo
- 1, 3
- Aro
- segunda semicolcheia do 1, 'e' do 2, segunda semicolcheia do 3, 'e' do 4
- Chimbal
- 1, 3
- Chimbal acentuado
- 'e' do 1, 'e' do 2, 'e' do 3, 'e' do 4
- Surdo
- 2, 4
Virada para o refrão
72 bpm
No último compasso antes do refrão, a caixa toca semicolcheias no 3 com acento no 'e' e desce pelos tons no 4. O prato entra no 1 do refrão junto com o bumbo.
Ver em texto
Compasso 1
- Bumbo
- 1, última semicolcheia do 1, 2, 3, última semicolcheia do 3, 4
- Aro
- segunda semicolcheia do 1, 2, 'e' do 2, 3, última semicolcheia do 3, segunda semicolcheia do 4
- Chimbal acentuado
- 'e' do 1, 'e' do 2, 'e' do 3, 'e' do 4
- Chimbal
- 2, 3, 4
- Crash
- 1
Compasso 2
- Bumbo
- 1, última semicolcheia do 1, 2, 3, 4
- Aro
- segunda semicolcheia do 1, 2, 'e' do 2
- Caixa fantasma
- 3, segunda semicolcheia do 3, última semicolcheia do 3
- Caixa acentuada
- 'e' do 3
- Chimbal
- 1, 2
- Chimbal acentuado
- 'e' do 1, 'e' do 2
- Tom médio
- 4, segunda semicolcheia do 4
- Surdo
- 'e' do 4, última semicolcheia do 4
Erros comuns
- Encher a levada de notas. Com tantã, pandeiro e repique tocando, cada nota extra da bateria embola a cozinha. Prefira a versão mais simples quando a percussão estiver completa.
- Bumbo grave e longo demais. No pagode o bumbo precisa ser curto para não brigar com o tantã; abafe a pele ou toque com o batedor encostando de leve.
- Acento no tempo do chimbal. Se o acento sair do 'e', o chimbal deixa de conversar com o banjo e a levada perde o suingue.
- Acelerar no refrão. O pagode romântico vive de andamento estável; treine as passagens de estrofe para refrão com metrônomo.
De onde vem
O pagode ganhou força nas rodas do Cacique de Ramos, no Rio de Janeiro, no fim dos anos 1970, com o Fundo de Quintal trazendo para o samba o tantã, o repique de mão e o banjo. Nos anos 1990, grupos como Raça Negra, Só Pra Contrariar e Exaltasamba levaram o estilo às rádios com arranjos mais românticos, e a bateria passou a dividir a cozinha com uma percussão grande. Por isso o baterista de pagode toca menos notas: o surdo fica no bumbo, o aro desenha a frase e o restante fica com os percussionistas.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre pagode e samba na bateria?
O pagode usa a mesma base do samba, com menos notas. O chimbal sai das semicolcheias e fica em colcheias com acento no contratempo, o bumbo não toca a nota antes do 1 e do 3, e o aro faz uma frase mais curta. O andamento costuma ser mais lento.
No pagode se usa caixa ou só aro?
Na maior parte do tempo, aro. A caixa aberta aparece em viradas, em refrões mais animados e em pagodes mais acelerados. Nas baladas, o aro no 2 e no 4 resolve a música inteira.
Como tocar bateria junto com tantã e repique?
Deixe o grave do tantã respirar: bumbo curto, sem notas no lugar das batidas dele. O repique de mão faz as frases, então a caixa fica no aro. Combine com os percussionistas quem faz as viradas.
Quer a bateria de uma música inteira?
Cole o link do YouTube e o Tuca tira a bateria: partitura, kit 3D e o áudio só da bateria, no tempo da gravação.